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A cultura popular brasileira tem criado coisas especiais em todas as
áreas, mas, principalmente, na culinária. Pratos populares como
a feijoada, arroz tropeiro, vatapá e tutu à mineira são
iguarias apreciadas dentro e fora do País.
Na lista não pode faltar o Barreado, uma das mais requintadas
criações da cozinha típica nacional. Trata-se de um
prato simples e ao mesmo tempo exótico, cultivado há mais
de 200 anos por caboclos das encostas da Serra do Mar, no litoral do Paraná.
Durante mais de século foi consumido apenas por moradores nativos
das cidades de Antonina e Morretes. Primeiramente, por ocasião da
festa do entrudo, que deu origem ao Carnaval. Depois, nas celebrações
religiosas, que até hoje atraem milhares de pessoas àquelas
bucólicas cidades com o propósito único de comer Barreado.
Somente no início dos anos 70 foi que esta delícia da culinária
artesanal ganhou status e subiu a serra, passando a fazer parte do cardápio
de sofisticados restaurantes de Curitiba. Comer o Barreado é um ritual
para personalidades e visitantes ilustres que chegam à capital paranaense
nos dias atuais.
O restaurante-escola do Senac-PR, no centro da cidade, é uma das
principais referências para aqueles que apreciam o bom e legítimo
Barreado. |
E isto tem razão de ser: o órgão fez o resgate histórico
da receita e desenvolveu campanha institucional, tornando o Barreado conhecido
em nível nacional.
Hoje, existem restaurantes servindo o Barreado na região Norte
do País e até nos Estados Unidos. Nas festas típicas
portuguesas que acontecem no litoral de Santa Catarina, o Barreado é
bastante consumido. Há quem afirme que o prato tem propriedades afrodisíacas.
Isto pode não ser verdade, mas o fato é que o Barreado produz
um efeito estimulante em quem o degusta.
Diz a lenda que os caboclos dançavam dia e noite durante toda
a festa do entrudo sem se deixar abater pelo cansaço. Quando não
agüentavam mais, comiam Barreado e voltavam à farra ainda
mais animados. A bebida pouco fazia efeito frente à energia que obtinham
quando se alimentavam de Barreado.
Segundo os apreciadores, este é um prato para ser saboreado aos
poucos, devagar, sem a menor pressa. Seu sabor é especial e inconfundível.
Comer o Barreado uma vez significa apreciá-lo para o resto da vida.
A grande dificuldade para a massificação do Barreado é
o seu tempo de preparação e cozimento, um ritual que pode
levar de 16 a 24 horas. Tentativas de reduzir este tempo com a utilização
de meios modernos como a panela de pressão não surtiram bons
resultados, por alterarem o sabor peculiar do prato. |
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Antonina foi fundada em 12 de de setembro de 1714, quando
ainda era um pequeno povoado. Nesta data, D. Frei Francisco de São
Jerônimo, bispo do Rio de Janeiro, autorizou a construção
de uma pequena capela em homenagem à Virgem do Pilar.
Artesanato, comida típica e folclore são palavras-símbolos
de Antonina. O trabalho artesanal no município é intenso e
vai desde o fabrico de pilões de madeira de lei, cestaria em cipó
e taquara, até miniaturas de canoas, violas e outros utensílios
talhados de uma madeira especial chamada cacheta.
Fundada em 1975, a Filarmônica Antoninense está incorporada
ao folclore da cidade. É de caráter beneficente e destina-se
a promover e desenvolver a cultura e a tradição musical, participando
em atividades cívicas e integrando a juventude antoninense.
O fandango é conservado nesta cidade com características
semelhantes às de todo o litoral, onde tamancos, violas e cantigas
fazem desta tradicional dança uma prova de persistência do
caboclo litorâneo que não a deixa abater.
O Bloco Carnavalesco Apinagés foi fundado em novembro de 1923
pelo marinheiro paraense Benedito Jesus Pereira, segue primitivas tradições
indígenas e constitui-se em folclore de Antonina, sendo um dos mais
famosos e antigos do Paraná. |
A cidade de Morretes, conhecida como a capital agrícola
da região litorânea, foi fundada em 1721 e hoje conta com aproximadamente
23.000 habitantes.
Banhada pelo Rio Nhundiaquara (com suas inúmeras cachoeiras corredeiras),
Morretes se caracteriza pela arquitetura, em estilo colonial, e pelo Barreado,
prato típico do Paraná à base de carne cozida, pimentas
nativas, banana-da-terra e farinha de mandioca.
Mas não se come só Barreado em Morretes! Entre outras delícias
gastronômicas locais estão as geléias, doces, frutas,
sucos e aguardentes, como a famosa pinga de banana. Falando em artesanato,
não se pode deixar de lado a cestaria e o trançado, famosos
em toda a região.
No rico folclore, festas como o fandango, dança das balainhas,
dança do pau-de-fita e a folia do Divino. Seus principais pontos
turísticos são: Porto de Cima, Igreja de São Sebastião
de Porto de Cima, Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, Rio Nhundiaquara,
Estação Ferroviária.
Para chegar a Morretes e Antonina, existem vários caminhos. Por
via rodoviária o acesso se dá pela BR -277 ou pela Estrada
da Graciosa. Outra opção é a Estrada de Ferro com trens
saindo diariamente de Curitiba. |